sábado, 7 de novembro de 2009

Prelúdio

"Lamia", de John William Waterhouse

PRELÚDIO


Eu o beijarei
com minha alma
em silvos
com minha boca
trêmula
com meu pensamento
indecifrável
Eu acariciarei
teus lábios miríficos
com o sopro
do meu hálito fresco
E verei em teus olhos oceânicos
a completude que me faltava
E serei a ti
tão indelével
quanto insuportável
Eu tocarei teu rosto
tua pele onírica
e fria
E te ouvirei
sibilante em meus ouvidos
resumindo-me a um brívido
Eu aceitarei
teu sorriso presunçoso
teus movimentos diáfanos
tomando-me em teus braços
Tornarei teu cheiro
similar somente ao sol
E, assim,
beijos sucederão beijos
E nós
estes novos amantes noturnos
correremos indolentes
pela doce madrugada
antes que te vás definitivamente
antes que, pela insensível manhã,
eu seja acordada.
poema: Jaqueline Nascimento

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

VENCEDORES DO CONCURSO DE POESIA DA OFICINA LITERÁRIA VERSO E PROSA

Foram inúmeras as cartas recebidas e muitos os textos de qualidade e valor. Depois da leitura detalhada de todos os poemas concorrentes, a comissão julgadora, designada pela Oficina Literária Verso e Prosa, chegou a uma decisão.
Devido ao grande número de participantes, destinamos, também, um prêmio especial a um concorrente campolarguense.
A premiação será realizada no dia 9 de setembro, a partir das 19h, na biblioteca pública de Campo Largo. Os vencedores de outras regiões serão comunicados acerca de forma alternativa da entrega do prêmio.
Os poemas premiados serão publicados em breve em nosso blog. A relação dos vencedores está, também, divulgada em nossa comunidade no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=92197026
Parabenizamos os vencedores e agradecemos a todos aqueles que prestigiaram e tornaram possível este nosso primeiro concurso de Poesia. Contamos com a presença de todos na próxima edição.
Segue a relação dos vencedores:
1º LUGAR : “LENDAS”
Perpétua Conceição da Cunha Amorim
Franca – SP
2º LUGAR : “ABRAÇANDO A VIDA”
Marçal Ferreira de Souza
Campo Largo – PR
3º LUGAR : “ALTARES ALTERADOS”
Heloisa Galves
São Paulo – SP
MENÇÕES HONROSAS:
“OUTROS”
Ana Cecília Reis
Rio de Janeiro – RJ
“POR QUE MARIA?”
Mauro Martiniano de Oliveira
São Paulo – SP
“CAFÉ COM POESIA”
Carlos Roberto Pina de Carvalho
São Paulo – SP
“RECOMEÇO”
Rosana Banharoli
Santo André – SP
“LIBERDADE DE VERDADE"
Rosemari Aparecida Kanarski
Campo Largo – PR
“ALMA DE POETA”
Cacilda Kanarski Leal
Campo Largo – PR
“FORÇAS”Arai Terezinha Borges dos Santos
Campo Largo - PR
PRÊMIO CAMPO LARGO
“ÚLTIMO SUSPIRO”
Abílio Machado de Lima Filho

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

ENTRELUGAR


ENTRELUGAR



Estende em gorjeios
as mãos frente aos ramos febris
Os pêssegos, outrora em flores,
caem ao chão em gesto servil
com a única preocupação
de oferecer-lhe o néctar
Vê-la assim indolente
com os lábios úmidos
e despertos
com o vento sibilante
roçando-lhe a pele
fastidiosamente
provoca-me qualquer estranhamento
Desejaria encontrar-me
tão plena e certa
Mas a mim
que sempre fui tão subserviente
quanto qualquer fruta
não foi dado o direito
de pertencer a espaço nenhum
Prenderam-me neste entrelugar
de onde nenhuma graça
pode me salvar
De onde eu, em desespero,
observo incrédula
a existência alheia
mirífica
miraculosa
enquanto minha vida
se esvai.

poema de Jaqueline Nascimento
ilustração: The Sorceress, John William Waterhouse (1913)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

ISTO NÃO DEVERIA SER A ÁFRICA




Outro dia, lendo o caderno eletrônico de José Saramago, me deparei com um texto de uma relevante crítica sobre a África, um texto que me causou profunda impressão e que me fez refletir acerca deste sofrimento, comparando-o com a realidade social aqui no Brasil.


Gostaria de compartilhá-lo com os leitores deste blog e levá-los também a pensar a respeito.


Apreciem:


África


By José Saramago


Em África, disse alguém, os mortos são negros e as armas são brancas. Seria difícil encontrar uma síntese mais perfeita da sucessão de desastres que foi e continua a ser, desde há séculos, a existência no continente africano. O lugar do mundo onde se crê que a humanidade nasceu não era certamente o paraíso terrestre quando os primeiros “descobridores” europeus ali desembarcaram (ao contrário do que diz o mito bíblico. Adão não foi expulso do éden, simplesmente nunca nele entrou), mas, com a chegada do homem branco abriram-se de par em par, para os negros, as portas do inferno. Essas portas continuam implacavelmente abertas, gerações e gerações de africanos têm sido lançados à fogueira perante a mal disfarçada indiferença ou a impudente cumplicidade da opinião pública mundial. Um milhão de negros mortos pela guerra, pela fome ou por doenças que poderiam ter sido curadas, pesará sempre na balança de qualquer país dominador e ocupará menos espaço nos noticiários que as quinze vítimas de um serial killer. Sabemos que o horror, em todas as suas manifestações, as mais cruéis, as mais atrozes e infames, varre e assombra todos os dias, como uma maldição, o nosso desgraçado planeta, mas África parece ter-se tornado no seu espaço preferido, no seu laboratório experimental, o lugar onde o horror mais à vontade se sente para cometer ofensas que julgaríamos inconcebíveis, como se as populações africanas tivessem sido assinaladas ao nascer com um destino de cobaias, sobre as quais, por definição, todas as violências seriam permitidas, todas as torturas justificadas, todos os crimes absolvidos. Contra o que ingenuamente muitos se obstinam em crer não haverá um tribunal de Deus ou da História para julgar as atrocidades cometidas por homens sobre outros homens. O futuro, sempre tão disponível para decretar essa modalidade de amnistia geral que é o esquecimento disfarçado de perdão, também é hábil em homologar, tácita ou explicitamente, quando tal convenha aos novos arranjos económicos, militares ou políticos, a impunidade por toda a vida aos autores directos e indirectos das mais monstruosas acções contra a carne e o espírito. É um erro entregar ao futuro o encargo de julgar os responsáveis pelo sofrimento das vítimas de agora, porque esse futuro não deixará de fazer também as suas vítimas e igualmente não resistirá à tentação de pospor para um outro futuro ainda mais longínquo o mirífico momento da justiça universal em que muitos de nós fingimos acreditar como a maneira mais fácil, e também a mais hipócrita, de eludir responsabilidades que só a nós nos cabem, a este presente que somos. Pode-se compreender que alguém se desculpe alegando: “Não sabia”, mas é inaceitável que digamos: “Prefiro não saber”. O funcionamento do mundo deixou de ser o completo mistério que foi, as alavancas do mal encontram-se à vista de todos, para as mãos que as manejam já não há luvas bastantes que lhes escondam as manchas de sangue. Deveria portanto ser fácil a qualquer um escolher entre o lado da verdade e o lado da mentira, entre o respeito humano e o desprezo pelo outro, entre os que são pela vida e os que estão contra ela. Infelizmente as coisas nem sempre se passam assim. O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses. Em tais casos não podemos desejar senão que a consciência nos venha sacudir urgentemente por um braço e nos pergunte à queima-roupa: “Aonde vais? Que fazes? Quem julgas tu que és?”. Uma insurreição das consciências livres é o que necessitaríamos. Será ainda possível?

José Saramago



PARA CONFERIR TODOS OS TEXTOS POSTADOS POR SARAMAGO, CLIQUE AQUI


This entry was posted on Agosto 11, 2009 at 12:01 am and is filed under O Caderno de Saramago
África. SARAMAGO, José. Disponível em http://caderno.josesaramago.org/2009/08/11/africa/ Aceso em 08/08/09.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

MENINA MORTA


Agnieszka Motyka - Ofélia
(encontrado em microargumentos.blogspot.com)


MENINA MORTA

De um passado longínquo
restam, ainda, alguns ruídos
as paredes de cor ocre
do quarto imaculado
cobertas de um suspeito negror
irremediável
Lá fora, a bruma da madrugada
ainda sussurra
cantigas enfadonhas
e cheias de dor e mágoa
E eu, só e sentada
a fronte submersa
no espelho das verdades
E, assim, tentando dar cor ao rosto
de um semblante circunspecto
sinto emergir o som
das rendas diáfanas
Abrem-se as janelas da adoração
E ela invade o ambiente
ponteando o rebanho
de doidas mulherzinhas
ávidas por meus cabelos.
Surge como flor efêmera
trazendo o sol em seus olhos
raiado
Mas como posso com esse corpo iluminado?
A minha alma é um naufrágio só
Mas nesta manhã em que rompe
claridade inefável
quando de sua inopinada chegada
resta-me fitá-la temerosa
e trêmula.
Sozinhas, então, seguimos por claustros
de onde pétalas flutuam em dança
- Por favor – imploro
- sou apenas uma criança!
Não mais ressoam os ecos
e ela, sabendo de minha náusea
Provoca-me com seu sorriso desértico.
Conheço, definitivamente,
a cor do silêncio
Acolhida sou por um rosto
desfigurado
E seu corpo, feito de éter
move-se para mim
como que em prece
Não me deixará sofrer, promete
e agarrará desesperadamente
meu retrato
a cada saudade
de forma quase selvagem
E sinto em seu movimento sinistro
fortuita vontade de desfazer-se
de seus planos
de abraçar-me para sempre
até o túmulo
Ah, mas o despertar maligno
aponta novamente para a resolução
E já me vejo embarcando
nos navios
do desconhecido
em viagem pelos mares
e seus redemoinhos
rumo à torturante exatidão
Ainda agora quando me acordo
lembro do cheiro da despedida
prendo-me às rendas
sentindo um resto de vida
lembro que fui a menina
que um dia sonhando
irrompeu por todas as portas
as suas lágrimas desditas
mas que neste presente não sonha mais
esta menina já não chora,
esta menina está morta.




poema de Jaqueline Nascimento

sábado, 8 de agosto de 2009

POEMA DO MENINO JESUS

Nada de palavras aqui ... ecoam apenas os silvos de um brívido provocado quando no encontro com esta incrível obra: Poema do Menino Jesus, segundo Alberto Caeiro, uma das muitas faces de Fernando Pessoa. O poema está, obviamente, resumido, e é declamado por Maria Bethania.




domingo, 2 de agosto de 2009

MANIFESTO À MINHA IGNORÂNCIA ... ALGUÉM SE ARRISCA?

Hoje acordei com desespero profundo, esqueci completamente de como se escreve. Procurei as canetas e papéis, rabisquei aqueles vocábulos costumeiros e nada ... nada além de um lugar comum perturbador. Tentei agarrar-me a uma saudade qualquer, um sentimento que me pusesse de pé o coração acossado, mas todas as cores de outrora saíram bruxuleantes a procura do cárcere do sossego.
Hoje não pintei meu rosto, como sentir saudade do que jamais me pertenceu, ou melhor, do que jamais fui? Ora, ceguei-me a ponto da entrega ... entrega à ilusão de minhas construções. Montei cada peça de minha essência acreditando na superior humanidade das minhas entranhas. A verdade? Preferia não ser humana, preferia não acordar do sonho que me levava para o casulo, preferia rastejar pelas protuberâncias arbóreas, pelas saliências do bosque secreto. Eu queria ser assim, completamente oculta, destinada aos cantos místicos pelos quais se chega à pretensa evolução da alma.
Não sou dada a manifestos, verdade seja dita, mas hoje que perdi o tino para o que realmente era importante, hoje que meus dedos escrevem apenas frivolidades sobre as quais tanto pisei, hoje manifesto a minha total ignorância do mundo, a minha total banalização, a minha total repugnância ao que já foi meu espírito.
Quem pudesse ver meu semblante cordato diria que não meço as palavras, diria que me enojo por tão pouco, diria que estou cega. Mas a verdade? Sempre a verdade? É neste momento de total desconhecimento do que fui, que meus olhos se abrem para a claridade de meu esquecimento. Eu não sei escrever e é assim porque não sei ler o mundo, não sei ver as pessoas e seus anseios, não sei pedir sem que me abale o orgulho. Eu sei chorar com o sofrimento alheio, mas em minutos minhas lágrimas transformam meu rosto em novo deserto fazendo desaparecer qualquer afetação, e volto aos meus dias serenos de cegueira e embriaguez, e voltam minhas ilusões com suas ilhas para onde navio nenhum pode me levar.
Não consigo entender que toda minha vida é um naufrágio? E a profundidade é inevitavelmente maior a cada linha. O afogamento e a total desolação não tardam a chegar, e os suspiros inaudíveis, e as tristezas vãs, e os sorrisos que, para me fazer merecedora, se esboçam em meu rosto frio, lá se vão com toda minha construção, lá se vão com a mentira que me tornei.
Eu desejei ser um animal completamente ignorante do mundo, desejei sujar meus dedos cavando tocas onde pudesse me esconder, um ninho quente onde só as batidas do meu coração fossem suficientes para me lembrar de que ainda existe vida. Não precisaria mais voltar à superfície, comeria formigas e estes tantos insetos que só descobri existir nos estudos exaustivos de biologia. Para que ver a claridade novamente se não posso enxergá-la?
Ora, mas veja como realmente parei de escrever, veja só como repentinamente perdi meu compêndio de palavras ilustres e poéticas, veja como perdi a noção de coerência. Eu estava a me afogar e agora já quero cavar buracos. Estava sendo engolida pelo oceano revolto e pleno de mistérios para enfiar-me na terra a comer defuntos. Marinha ou telúrica? Uma escolha difícil.
Mas agora que não sei mais escrever, posso ao menos afirmar na minha ignorância, nos meus modos ridículos, que não quero mais ser indiferente, seja lá ao que for. Quero abrir os meus olhos àquela doce fresta diáfana que, na sua incrédula suavidade, toma a minha mente lembrando-me de que ainda é possível ser alguém, seja eu a escritora ou o animal, não sentirei mais saudade das cidades inexistentes, agora me deixarei habitar.
Manifestei aqui a ignorância que constantemente me assombra, a forma como os medos muitas vezes bloqueiam a atividade criativa. Alguém deseja se manifestar? Mande-me um email e poderei publicar seu texto aqui.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

OFICINA LITERÁRIA VERSO E PROSA CRIA COMUNIDADE NO ORKUT


Foi criada neste mês de julho a comunidade da Oficina Literária de Campo Largo no Orkut, um dos maiores sites de relacionamento do Brasil. Denominada Oficina Literária Verso e Prosa, a comunidade foi criada a partir das experiências dos encontros que o grupo realiza semanalmente e também do blog no qual novidades são postadas regularmente.

Estar presente num veículo tão popular é uma forma de aproximar as pessoas que sempre tiveram interesse pela leitura e escrita, mas que nunca souberam exatamente onde procurar algo a respeito.

A comunidade gera a oportunidade de todos participarem, criando fóruns, enquetes ou, simplesmente, conhecendo pessoas com interesses em comum.

Para visitar o endereço, basta acessar o link:


Se tiver conta no Orkut, é só clicar em "participar" e começar a fazer parte deste grupo que vem crescendo constantemente.

É interessante, ainda, lembrar que a Oficina possui um blog que pode ser acessado por todos:


Os encontros da Oficina Literária Verso e Prosa acontecem todas as quartas-feiras, das 18h às 20h, na biblioteca pública municipal de Campo Largo.

Como integrante do grupo, convido todos a participarem, basta gostar de Literatura!

terça-feira, 7 de julho de 2009

1º CONCURSO DE POESIA CAMPOESIA 2009

Já estão abertas as inscrições para o 1º Concurso de Poesia Campoesia 2009, promovido pela Oficina de Literatura de Campo Largo em parceria com a biblioteca pública municipal.
Podem participar da competição maiores de 16 anos, que apresentem poemas inéditos em língua portuguesa. Cada autor pode participar com apenas um poema.
O texto deve estar digitado em folha A4, com no máximo três páginas, em formato Word, fonte Arial, tamanho 12, espaço entrelinhas 1,5.
O prazo final para o envio do material é dia 15 de agosto de 2009, observando-se a data do carimbo postal.

PREMIAÇÃO:

1º lugar: R$500,00 e certificado
2º lugar: R$300,00 e certifcado
3º lugar: R$200,00 e certificado

E mais 7 (sete) menções honrosas, totalizando 10 (dez) selecionados.
Para obter maiores informações, além de ter acesso ao regulamento do concurso, é possível consultar a Biblioteca ou enviar um email para oficinaliterariacl@gmail.com

Biblioteca Pública “Dr. Francisco Ribeiro Azevedo de Macedo”:
Rua Centenário, 2011, Centro, 83601-000. CAMPO LARGO – PR. Fone: (41) 3392-4012

Visite o blog da Oficina Literária Verso e Prosa e deixe o seu comentário ou sugestão: www.oficinaliterariaversoeprosa.blogspot.com

quarta-feira, 10 de junho de 2009

HOMEM DO MAR


Homem do Mar
Espero meu amor chegar
de suas aventuras oceânicas
para, então, me tomar
em seus braços
e me fazer conhecer
as dimensões
de meu espírito
ainda não desbravado
poema: Jaqueline Nascimento
imagem: "Miranda The Tempest", John William Waterhouse

domingo, 10 de maio de 2009

CICATRIZ


Cicatriz


Das coisas
dos sussurros
das gentilezas
que, indolentes, regressaram
ao pó
bate ainda
impulsiva
a lembrança
rotulada
daquele nome
que feriu
e não se preocupou
com o significado
das cicatrizes
latentes
mas incisivas.



poema: Jaqueline Nascimento

imagem: Thisbe, John William Waterhouse (1909)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

11º PRIMEIRO FESTIVAL DO CINEMA BRASILEIRO DE PARIS

Wagner Moura e Letícia Sabatella em cena do filme Romance
Começa hoje a 11ª edição do Festival do Cinema Brasileiro de Paris, com duração até 12 de maio. Este ano, o evento homenageia os 50 anos da Bossa Nova. O objetivo maior do festival é promover o cinema brasileiro na França.

O filme Romance, do diretor Guel Arraes, abre o calendário cuja primeira semana é dedicada às produções de ficção. Palavra (En)cantada, de Helena Solberg, fica com a missão de encerrar o evento, que contará, ainda, com a participação de vários músicos.

Entre os filmes que integram a mostra competitiva estão Feliz Natal, de Selton Mello, Meu nome não é Johnny, de Mauro Lima, Se nada mais der certo, de José Eduardo Belmonte, Um romance de geração, de David França Mendes, Todo mundo tem problemas sexuais, de Domingos Oliveira, e Verônica, de Maurício Farias.



Para maiores informações: http://www.cinema.uol.com.br/

terça-feira, 28 de abril de 2009

CONTE ALGO NOVO A UM JOVEM AUTOR: A CONTUNDENTE PROSA DE LUCAS DAVID MICHELS DOS SANTOS


"Incerto e previsível.
Sóbrio e ébrio.
Bom e mau.
Certo e errado.
Sou aquilo que você sempre negou em você mesmo."

Desta forma se auto define Lucas David Michels dos Santos, catarinense de Indaial, em seu blog Conte-me Algo Novo, página que ele transformou em um local de reflexão e diálogo acerca do que temos feito com nossas vidas a nível pessoal, artístico, intelectual, político. Lucas revela em seus textos muitas de suas facetas, inclusive seu gosto pela música. Mas suas palavras deixam claro, o que ele deseja é a música que indaga, assim como a Arte que permite refletir e representar o ser humano. Existencialistas, realistas, niilistas, pessimistas...os textos deste jovem autor de apenas 19 anos percorrem os mais diversos e inusitados caminhos.

Suas influências surgem do visceral Kafka, passando por Douglas Adams, Bernard Cornwell, Maicon Tenfen, chegando a autores inesperados, como o blumenauense Gregory Haerthel, autor do ótimo blog Engarrafamentos de Rosetas e Espinhos.

Lucas, que estudou jornalismo durante um ano, acabou, casualmente, se tornando uma espécie de cronista. O modo como trabalha o cotidiano nos transporta a um mundo particular, um mundo de anseios no qual se vive à procura da valorização da verdadeira arte e do ser humano, não como reflexo da mídia, dos modismos e dos "pré-conceitos" gerados pela banalização da própria vida, mas enquanto indivíduo capaz de refletir acerca do mundo do qual é parte. Em suas linhas o tempo ganha tal relatividade, que, ao se navegar pelo seu blog, temos a nítida sensanção de um ir e vir, suas referências espaciais e temporais oscilantes e seu estilo, ora factual e lógico, nos permitem ingressar num ambiente em que magia e realidade se confundem. Vozes diversas são invocadas gerando uma displiscente polifonia, o que nos deixa claro que as palavras, ainda que no papel, nos permitem dialogar tranquilamente com os mais diversos personagens, inclusive com aquele do autor. Não se surpreenda se, inusitada e repentinamente, se deparar com Raul Seixas e suas canções entre uma linha e outra. Neste espaço, Lucas trabalha, afortunadamente, com todas as possibilidades.

Um texto engajado? Com a figura do homem, com certeza. O blog Conte-me Algo Novo deve ser conferido, assim como devemos esperar muito o que degustar deste jovem autor e futuro jornalista, que nos promete uma carreira digna de atenção e respeito.

Confira aqui um de seus textos, que me atrevo a chamar de crônica.


DEIXAR A ONDA LEVAR


"Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros por mês"

Ultimamente eu ando meio arrependido de algumas coisas. Da minha consciência política,das minhas exigências, de pensar demais em algumas coisas. Mas eu não consigo deixar defazer essas coisas, não consigo deixar de ser a areia da engrenagem para me tornar um grão de sal no mar de gente.

"Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar um Corcel 73"

Personalidade é uma coisa estranha, tu vai achando legal no começo, começa a se sentir diferente, percebe que os teus gostos são diferentes dos da maioria, até fica meio arrogante, passa a não entender como essas pessoas “comuns” conseguem levar essas vidinhas de merda. Começa a criticar ditadura, democracia e aristocracia, e acha todas elas erradas, tão erradas quanto você mesmo.

"Eu devia estar alegre e satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa"

Aí então começam as crises. Teus ídolos se revelam humanos, e isso te decepciona, mas aprende a aceitar. Não há mais sentido em ver televisão, a mídia é corrupta, a arte está prostituída, as músicas não são mais feitas para exprimir alguma coisa, elas existem pra seguir tendências e vender, e aí então você começa a odiar o capitalismo, vira fan de bandas underground que distribuem suas canções pela internet, para então virar-lhes as costas assim que tocarem na rádio.

"Ah! Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco praia, carro, jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco"

E ai tu começa a duvidar de Deus, que tu sempre aprendeu que te criou, vigiou e essas coisas todas. Depois de ter entendido “tudo” sobre Darwin e Nietzche não faz sentido nenhum acreditar em Deus, afinal a Igreja queimou tanta gente graças a essa existência.

"É você olhar no espelho
Se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo, limitado
Que só usa dez por cento de sua
Cabeça animal
E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
Que está constribuindo com sua parte
Para nosso belo quadro social "

Mas aí você pensa um pouco, e percebe que esse seu estilo alternativo está longe de ser único, ele pode não ser a moda da mídia, mas no fim das contas ele é uma moda. No fim das contas, talvez você não, mas boa parte dos fanzinhos dessas bandas underground que você escuta não entendem nada da música, estão ali para ser alternativos, o que não deixar de ser um modismo da anti-moda. Começa a ver que a sua visão religiosa, ou anti-religiosa também não é 100% correta, percebe que os políticos não são pessoas totalmente ruins, assim como os seus antigos ídolos não eram, e no fim das contas todos são humanos como você, e essa é a única coisa absoluta. E aí começa o relativismo, tu senta em cima do muro e para pra pensar, e percebe que as tuas idéias não são absolutas, que a sua honestidade, e nem a de ninguém, é absoluta, que a sua visão de mundo é limitada, e que bem e mal, certo e errado, e a maior parte dos opostos, estão todos longe de serem absolutos.

"Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada cheia de dentes
Esperando a morte chegar"

Opostos não são absolutos, chegando nesse ponto você pode voltar a ouvir algumas músicas das rádios (nem todas são ruins, mas a maioria realmente não vale um tiro, mas não é tocar na rádio que as faz ruins). Toda aquela carga “alternativa” que te oprimia não existe mais, e você pode gostar do que realmente gostar, gostar sinceramente. As coisas começam a andar bem, você se sente livre, e cada coisa nova é excitante, cada possibilidade nova merece ser avaliada e parece que nada mais te limita. Porém nem essa sensação é absoluta e você acaba descobrindo que tudo isso tem um preço.

Chega uma hora que a vida dá uma volta tão grosseira quanto os versos que você odeia nessas músicas fúteis. Aí você tão acostumado a pensar começa a pensar demais, começa a pensar em possibilidades para melhores, porquês e porquês sem fim, tua paz vira tumulto, tua tolerância é pisoteada e você deseja que a onda te leve.Deseja ser normal, está cansado de pensar. Pra que pensar se é mais fácil só reagir a tudo (frase da música Noites de outros dias -7, cidadão quem). Dá uma puta vontade de votar no partido da maioria (que muda a cada eleição), não dá mais vontade de ler, não da mais vontade de fazer nada, parece que você já tem muitas coisas na cabeça, mais do que é capaz de gerênciar, e fica de saco cheio de todo o resto.Mas pelo menos pra mim a música nunca deixou de ser uma coisa sincera, uma luz amena no cinza pesado do céu, e talvez por ela eu não vá me tornar uma pessoa normal.

Mas a verdade, é que trilhar seu próprio caminho tem um preço:

Não há volta.
Mas pensando bem não quero trocar minha personalidade por ouro de tolo, felicidade vazia, e outras afirmações que minha arrogância (que vai bem, obrigado) me permitem fazer.E agora lembrando de tudo isso, não me sinto tão arrependido assim.

Lucas David Michels dos Santos
*Trechos destacados da música Ouro de Tolo (Raul Seixas)

domingo, 26 de abril de 2009

PRESOS PELO ESTÔMAGO


Produção rodada em São Paulo e em Curitiba, com finalização na Itália, Estômago conquistou crítica e público em 2007, e continua entre os mais comentados filmes brasileiros dos últimos anos.

"É a história da ascensão e queda de Raimundo Nonato, um cozinheiro com dotes muito especiais. Trata de dois temas universais: a comida e o poder. Mais especificamente, a comida como meio de adquirir poder. E pode ser definido como 'uma fábula nada infantil sobre poder, sexo e culinária'"

Grande destaque do Festival do Rio 2007, venceu as categorias melhor filme (prêmio do público), melhor diretor (Marcos Jorge), melhor ator (João Miguel), prêmio especial do júri (Babu Santana). Ganhou o Lions Awards no Festival de Rotterdam 2008 e fez parte da seleção do Festival de Berlim 2008, além de receber os prêmios de melhor filme e melhor ator no Festival de Punta Del Este.

Compõem o elenco o ator baiano João Miguel, como protagonista, acompanhado pela curitibana Fabiula Nascimento (em sua estréia no cinema), pelos cariocas Babu Santana e Alexander Sil, pelo italiano Carlo Briani e pelo paulista Paulo Miklos.

Segundo o site oficial da produção, "o filme foi inspirado no conto “Presos pelo Estômago”, de Lusa Silvestre, que assina, junto com Marcos Jorge, o argumento do filme. O roteiro é de Lusa Silvestre, Marcos Jorge, Cláudia da Natividade e Fabrizio Donvito. A produção é de Cláudia da Natividade, Fabrizio Donvito e Marco Cohen. O diretor de fotografia é Toca Seabra, que tem no currículo filmes como “O Invasor” (2002), “Do Outro Lado da Rua” (2004), “Cidade Baixa” (2005) e “Cão se Dono” (2007). A música ficou a cargo de Giovanni Venosta, compositor de premiadas trilhas sonoras de vários filmes italianos: “Pão e Tulipas” (2000), “Queimando ao vento” (2002) e “Ágata e a tempestade” (2004)."
maiores informações no site http://www.estomagoofilme.com.br/

sábado, 4 de abril de 2009

A POESIA DE ARZÍRIO CARDOSO


Arzírio Cardoso, graduado em Letras Português-Espanhol e pós-graduando em Língua Portuguesa e Estudos Literários, escreve poemas e contos desde 2003. Suas principais influências, na poesia, são Paulo Leminski, José Paulo Paes, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, entre outros; já na prosa, destacam-se Jorge Luis Borges, Dalton Trevisan, Raduan Nassar, Italo Calvino, Kafka e José Saramago.Em sua poesia, tenta comprimir e sintetizar o máximo possível a linguagem, já que um de seus ideais poéticos é a concisão e a precisão. Também é característica de sua poesia a mescla com a prosa, já que a concatenação dos versos muitas vezes revela uma ordem factual lógica, como se no poema houvesse um pequeno enredo com início, meio e fim, cujo objetivo é a busca da coesão e coerência internas.
Arzírio é integrante do grupo da oficina literária Verso e Prosa, cujos encontros acontecem às quartas-feiras, na biblioteca pública de Campo Largo, sob a coordenação da professora Eliane de Andrade Krüguer.



Adão enlevado

O vagar de Eva
Em meio às ervas
Era devagar
E sem reservas.



O nome e a filosofia

Humano
DefiNietzschevamente
Humano



Meus 5 anos

“a” era a letra da abelhinha
“e”, a do elefante
E ia por aí afora
Saudades do jardim de infância
Quando só as vogais
Estavam em voga.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

WAGNER MOURA E "SUA MÃE"




No último dia 25 de março, durante o Festival de Curitiba, Wagner Moura realizou uma visita à cidade. Mas se engana quem pensa que foi para atuar em Hamlet. O ator esteve divulgando a banda da qual é vocalista, Sua Mãe, que tem uma proposta de revisitar o repertório brega brasileiro utilizando-se de uma roupagem moderna, um projeto que ele e o guitarrista Gabriel Carvalho já vinham desenvolvendo desde 1992.

A grande estréia aconteceu em julho de 2009, quando o grupo se apresentou no programa Circo do Edgar, exibido no canal Multishow.

Na capital paranaense, tocaram algumas de suas 500 composições, além de sucessos de Roberto Carlos, Reginaldo Rossi, Odair José, entre outros. Moura se disse feliz com a oportunidade de divulgar seu trabalho participando do "maior festival de teatro da América Latina".


O site Bahia em Foco afirma: "O instrumental é consistente e rico, vertendo-se em arranjos cheios de detalhes inusitados e transitando entre estilos musicais aparentemente inconciliáveis, como o rock independente inglês e o brega brasileiro."

Eis as principais influências da banda: Odair José, Reginaldo Rossi, Roberto Carlos, Fernando Mendes, Otto, Diana, Retrofoguetes, George Harrison, U2, Radiohead, The Cure e Muse.




É possível acompanhar o trabalho do grupo por meio do site www.myspace.com/bandasuamae










No vídeo abaixo, Wagner canta Creep ( o primeiro sucesso da banda Radiohead) ao estilo de Sua Mãe.





terça-feira, 24 de março de 2009

FESTIVAL DE TEATRO DE CURITIBA 2009: DE 17 A 29 DE MARÇO





Começou no dia 17 de março o Festival de Curitiba, mais conhecido como Festival de Teatro de Curitiba. O evento já trouxe grandes peças e causou polêmicas, caso da Montagem de "A Cabra ou Quem é Sylvia", com José Wilker e Denise Del Vecchio, direção de Jô Soares.
Continuam fazendo parte do festival a mostra Fringe e o Risorama. Mas as novidades também são bastante atraentes, o evento PUC Idéias traz mostras e palestras com nomes em evidência na cena nacional como o jornalista Caco Barcellos e o cineasta Marcos Jorge.
O evento conta, ainda, com exposições, festas, shows e encontros gastronômicos.

Confira programação no site http://www.festivaldecuritiba.com.br/


cena de Bodas de Sangue. foto: Daniel Isolani

domingo, 22 de março de 2009

NASCE O BLOG DA OFICINA LITERÁRIA VERSO E PROSA




Uma simples iniciativa pode gerar grandes idéias. A partir de um projeto desenvolvido por Eliane Andrade Krüguer nasceu a Oficina Literária de Campo Largo, encontro realizado semanalmente com o objetivo de refletir acerca da cultura universal, mais especificamente, da literatura. Nesses momentos surgiram, além de grandes discussões, novos talentos na escrita.


O grupo é bastante heterogêneo, formado por escritores, ou amantes da escrita, com ideologias e estilos dos mais variados. Depois de muitos trabalhos realizados, nasce o blog Oficina Literária Verso e Prosa, como forma de compartilhar as descobertas e dialogar com todos aqueles que escrevam, leiam, ou simplesmente amem a literatura.


Neste espaço circulam os amantes da "simetria", dos versos livres, dos contos, das crônicas, dos romances, além dos poetas engajados, dos leitores apaixonados, de todos aqueles que de alguma forma apreciam as belas letras.


Para dúvidas ou sugestões, segue o email de contato: oficinaliterariacl@gmail.com


Os encontros acontecem às quartas-feiras, das 18h às 20h, na Biblioteca Pública de Campo Largo.


segunda-feira, 16 de março de 2009

O ESPELHO: DEDICADO A UMA MULHER DE CORAGEM



O ESPELHO

Escova os frescos cabelos
diante da pretensa opacidade
do espelho que a revela
numa dor inquietante
E quando mira os olhos à janela
vazante do arrebol,
expandem-se imagens fugidias
de um rosto que há muito
conheceu
E desfazem-se as tranças
como o emaranhado de memórias
irrompem os brados
de um sofrimento
paradoxalmente salutar
Os longos fios
caem à fria pele
com leveza
como o toque
daquelas mãos
que um dia a beijaram
com o furor
do calor que a tomou
quando pensou
não haver mais vida
E se a obscuridade
por ora revela-se
maior
Se o mal
invade-lhe as entranhas
com força,
ainda restam os delicados fios
para, reluzentes,
a lembrarem
de que nunca deixará de ser
humana.

POEMA DEDICADO A MARIA DOS SANTOS, UMA MULHER DE CORAGEM!

(poema de Jaqueline Nascimento)
ilustração:Mariana in the South (1897) John William Waterhouse

sábado, 14 de março de 2009

UMBERTO ECO E A HISTÓRIA DA FEIÚRA

O escritor Umberto Eco concedeu intrevista ao repórter Edney Silvestre diretamente de Frankfurt, na Alemanha.

sexta-feira, 13 de março de 2009

A ALMA BOA DE SETSUAN: A COMÉDIA REFLEXIVA DE BRECHT TAMBÉM POSSUI SUAS DELÍCIAS



Bertolt Brecht foi um dos grandes inovadores do teatro no século XX, sua teoria acerca de uma representação épica propunha um distanciamento entre drama e realidade, fazendo com que o espectador criasse uma visão crítica a partir das cenas observadas. Tornando claro os mecanismos artificiais na produção cênica, o autor concentrava-se nos valores ideológicos presentes nos textos dramáticos. Brecht foi um "produtor" de consciência política no público!
Com A Alma Boa de Setsuan, o dramaturgo provou que pode ser também engraçado. A recente adaptação com a atriz Denise Fraga, e grande elenco, exemplifica a impossibilidade da existência do maniqueísmo no ser humano. Obviamente, ninguém é apenas bom ou mal, mas uma complexa junção das duas coisas.
No texto original, três deuses descem à terra à procura de uma alma boa, o que encontram na camponesa Chen-Tê e, por tal, a presenteiam com uma boa quantia em dinheiro. Chen-Tê assume, então, uma segunda personalidade, Chui-Tá, como forma de dizer não aos que pudessem lhe pedir ajuda, e assim aproveitar para arrecadar algumas moedas.
A adaptação do diretor Marco Antonio Braz traz apenas um deus, como forma de representação da Santíssima Trindade. A peça mostra os limites entre bondade e crueldade, e a forma como o ser humano apresenta dificuldades de dizer não, sua tendência para a caridade, mas também o seu medo de, por tal atitude, ser explorado.
Em entrevista ao Caderno G do jornal Gazeta do Povo (edição de 8/03/09), a atriz Denise Fraga declarou que "não é difícil fazer uma pessoa rir, mas me interessa esse fio de comédia reflexiva, é a matéria mais delicada de se trabalhar e a mais fascinante também. Essa é, das peças que fiz, a que mais tem isso."
A seguir, um fragmento da entrevista concedida ao jornal.
Caderno G: Faço para você a pergunta que é o mote da peça: É possível se manter uma pessoa boa e generosa no mundo competitivo em que vivemos?
Denise: As pessoas estão justificando muita coisa por dinheiro. Temos esse convite a agir de forma mais severa, para exigir respeito, mas estamos negando o poder da gentileza, da solidariedade. Acho que a gente vive uma crise humanitária, em que não se fala desses valores, porque parece um discurso bobo. Acaba-se justificando atitudes injustificáveis. [...]
A peça estará em cartaz em Curitiba, no Teatro Guaíra, nos dias 14 e 15 de março.

segunda-feira, 9 de março de 2009

A M A R: A POÉTICA AVASSALADORA DE FLORBELA ESPANCA


Florbela Espanca nunca se encaixou em nenhuma escola literária, alguns teóricos afirmam que ela ela faria parte de uma corrente intitulada neo-romantismo. No entanto, seus versos pungentes são universais.
Em maio de 1915, a poeta portuguesa dá início a Trocando Olhares, um caderno do qual farão parte inúmeros textos em verso e prosa.

O ESPECTRO

Anda um triste fantasma atrás de mim
Segue-me os passos sempre! Aonde eu for,
Lá vai comigo…E é sempre, sempre assim
Como um fiel cão seguindo o seu Senhor!

Tem o verde dos sonhos transcendentes,
A ternura bem roxa das verbenas,
A ironia purpúrea dos poentes,
E tem também a cor das minhas penas!

Ri sempre quando eu choro, e se me deito,
Lá vai ele deitar-se ao pé do leito,
Embora eu lhe suplique:Faz-me a graça

De me deixares uma hora ser feliz!
Deixa-me em paz!…” Mas ele, sempre diz:
“Não te posso deixar, sou a Desgraça!”
(in: Trocando olhares - 28/06/1916)
ASSIM SÃO OS TEXTOS DE FLORBELA ESPANCA...


domingo, 8 de março de 2009

MEMÓRIAS DE UMA BRUXA


Somos um pouco bruxas. Certamente um pouco bruxuleantes nos momentos incógnitos, assim como nos momentos de fúria. Somos adeptas às mandingas, mas delas não nos favorecemos. Nossos encantos são um pouco mais suplicantes. O farfalhar de nossas saias não provoca mais ruídos que nossas almas, que, quando solitárias, acolhem-se no pranto fingido da alegria. Sim, esmorecemos, somos palavras correndo soltas, fugindo da métrica dos versos que nos perseguem, serpenteando por caminhos obscuros, tropeçando aos olhos ferozes daqueles que nos julgam.
Somos também caixa cintilante, forrada com a seda delicada dos anos felizes, recheada pelas lembranças e ansiedade de sermos livres. Não queimamos os nossos tesouros em fogueiras, não somos hereges com relação ao amor. Mas se nos tomam o resto de sanidade, colhemos um ódio, usamos a mordaça silenciosa que aos poucos mastigamos até que o esquecimento a faça desaparecer.
E quando um novo sol nasce, assumimos outras nuances. Surgem tules e pérolas, broches e rosas. Nossos lábios, de tão vermelhos, tornam-se amáveis suspiros rarefeitos. Nossas camas, templos reflexivos, tornam-se ditosos locais de oração, de onde estendemos as mãos contrárias a todo o não.
Somos assim, feitas de uma complexidade bastante simples até. Sedutoras aos olhos ingênuos, vorazes na realidade da essência. Somos um delicioso compêndio de feitiços, uma intensa bebida a ser saboreada. Somos tão ingênuas e felizes por vezes, mas dissimuladas quase o tempo todo.
Assim, enchemos nossas casas de tudo que nos resume, somos surpreendentemente leves, mas cuidado com nossas tempestades, porque também somos puras, e a pureza exige força. Não nos envergonhamos facilmente, e quando o fazemos, é porque alguém que amamos foi ferido.
Quando morremos, nossas dores parecem nos sufocar, as cores nos deixam por um átimo que nos representa quase uma eternidade. Mas quando novamente nascemos, retornamos tão fortes e com uma beleza nauseante. Sempre seremos tudo na vida de alguém...uma dor, uma imagem opaca, uma lembrança vã, ou um beijo efêmero.
Somos loucas, de uma insanidade profunda, quase irremediável. Somos estes olhos brilhantes, indeléveis. Somos etéreas, somos musas, somos temidas. Somos um sonho que se perdeu, ou que está para se realizar. Somos tão indefiníveis e, portanto, fascinantes.
Ai daquele que nos seguir ... perder-se-á deliciosamente para todo o sempre.
ilustração: "Hylas and the Nymphs" (study 1 - 1896) John William Waterhouse.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

RESPEITOSAMENTE QUEER



O começo de 2009 foi marcado por um tumultuoso e inflamado leque de novas discussões acerca da homossexualidade. Desta vez, a arte fez o seu papel. Lembremos, aproveitando a recente cerimônia do Oscar, de um dos filmes mais comentados nos últimos meses: "Milk - A Voz da Igualdade". A película retrata a vida de Harvey Bernard Milk, o primeiro político assumidamente gay da história, com uma interpretação (o que não se mostra mais novidade) inquestionável de Sean Penn, o que lhe rendeu merecidamente a estatueta máxima de melhor ator.
A Queer Art vem sendo explorada há muito, desde Andy Warhol nas artes plásticas até Jean Genet na Literatura.
Na última semana, o Festival de San Remo (promovido anualmente na Itália) causou discussões em todo o mundo ao abrir espaço à música do cantor Povia "Luca era gay", gerando grande polêmica. Esta foi uma forma do cantor, que se autodeclara um "ex-gay", de afirmar que a homossexualidade não é uma condição, mas uma escolha. Para ele, não se nasce gay, mas se torna gay, o que torna perfeitamente possível que se deixe de sê-lo.
Inúmeras entidades pró-gays protestaram contra este ato, reconhecendo-o como forma de preconceito e homofobia.
Por vezes altamente engajada, a queer art poderá voltar a discutir esta questão como forma de respeito às diferenças, sejam elas culturais, sociais, ou mesmo sexuais. Tornando-nos um pouco mais íntimos desta corrente teórica, talvez seja possível que que aprendamos que o respeito deve ser inerente ao ser humano, indepente de suas idiossincrasias.
Segue o link do polêmico vídeo "Luca era gay", de Povia.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

OSCAR 2009



Com algumas inovações e surpreendente atuação de Hugh Jackman como apresentador, a noite do Oscar parece ter retomado sua esperada qualidade, o que se refletiu nas premiações, consagrando Quem quer ser um milionário, que conseguiu 8 das 10 indicações.
Outro momento, no mínimo histórico, foi a consagração do ator australiano Heath Ledger, com um Oscar póstumo de melhor ator coadjuvante.
Segue a lista completa dos premiados.

Melhor filme: Quem quer ser um milionário

Melhor diretor: Danny Boyle (Quem quer ser um milionário)

Melhor atriz: Kate Winslet (O leitor)


Melhor ator: Sean Penn (Milk - AVoz da Igualdade)


Melhor ator coadjuvante: Heath Ledger (O cavaleiro das trevas)


Melhor atriz coadjuvante: Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)


Melhor roteiro original: Milk - A Voz da Igualdade (Dustin Lance Black)


Melhor roteiro adaptado: Quem Quer Ser um Milionário? (Simon Beaufoy)


Melhor filme em língua estrangeira: Departures (Japão)


Melhor longa de animação: Wall-E


Melhor curta de animação: La Maison en Petits Cubes (Kunio Kato)

Melhor documentário: Man on Wire (James Marsh e Simon Chinn)

Melhor documentário em curta-metragem : Smile Pinki (Megan Mylan)

Melhor trilha sonora original: Quem Quer Ser um Milionário? (A. R. Rahman)

Melhor canção original: Quem Quer Ser um Milionário? ("Jai Ho")

Melhor direção de arte: O Curioso Caso de Benjamin Button (Donald Graham Burt e Victor J. Zolfo)

Melhor fotografia: Quem Quer Ser um Milionário? (Anthony Dod Mantle)

Melhor edição: Quem Quer Ser um Milionário? (Chris Dickens)

Melhores efeitos sonoros: Quem Quer Ser um Milionário? (Ian Tapp, Richard Pryke e Resul Pookutty)

Melhor edição de som: Batman - O Cavaleiro das Trevas (Richard King)

Melhores efeitos especiais: O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor maquiagem: O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor figurino: A Duquesa

Melhor curta-metragem: Spielzeugland (Toyland) Jochen Alexander Freydank




domingo, 15 de fevereiro de 2009

DAS CONVERSAS COM FANTASMAS ...



FANTASMAS

Passaram-se anos
para eu descobrir
que viver dá medo
que viver fere
Ferem as distâncias
e as impossibilidades
O vento sopra impaciente ao meu rosto
adágios impiedosos
lembrando-me do que não fui.
A chuva dilacera meu corpo
com chagas que não cicatrizam
esconde-me de meu passado
faz do mistério o meu abrigo.
A terra molhada beija meus pés
condenando-me às lamentações
E o que vejo diante de mim
enquanto afundo
senão eu mesma?
Sorrindo enquanto desejo chorar
calando quando desejo gritar
deixando que fantasmas invadam meu quarto
durante as noites em que não posso dormir
E agora que caminho selvagem
pelas florestas que habitam meu coração
vejo que os anos me envelheceram
com toda sua indiferença
ensinando-me o que é crueldade
E quando se vai a chuva
volta o sol a queimar
minha face
para cegar-me
diante de meu futuro
não me permitindo enlouquecer
para então reiterar
o quanto sou efêmera
E os prados por onde ando
à procura de mim
envolvem-me os braços
imobilizando minhas esperanças
ser mulher é luta!
dores
lágrimas
ou um conceito obscuro de felicidade
As mentiras em que me perdi
tornam à minha mente
com os anos banais
sempre eles
e me encontro com fotos esparsas
de uma infância ilusória
fotografias que voam em céu relampejante
e que em rasantes ameaçadoras
afligem meu corpo a ser enterrado
E meus dedos sujos
tentam me livrar de meu sepulcro
e o ar que já me falta
ri do meu desespero
aperta minha mordaça
ferindo meus lábios sequiosos
E o que vejo acima de mim
senão eu mesma?
Pisando o chão que me consome
chorando minha própria morte
estendendo-me inutilmente a mão
aceitando o consolo alheio
e a falta de coragem decretada
e a passagem de uma vida
que me deu e me tirou
tudo.
A terra de onde vim
novamente me recebe
sem revelar os seus segredos
sem explicar o que são as lágrimas
que um dia acreditei cristalinas
que um dia chorei
pensando ser recompensada
E agora que vejo a mim mesma
sepultando-me e fingindo dor
digo-me:
procura-te sempre
ainda que nunca te conheças
e dorme
porque o meu fantasma
não mais te atormentará.

(Jaqueline Nascimento)

poema publicado no blog italiano http://www.paolascialpi.blogspot.com/
em 12/12/08.
ilustração: "Boreas", pintura em óleo de John William Waterhouse (1902)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A POESIA E AS BUGANVÍLIAS: O TEXTO REPLETO DE CORES DE ADRIANA LISBOA



Com aparente simplicidade, os textos da escritora Adriana Lisboa percorrem caminhos tão improváveis quanto surpreendentes. A delicadeza é parte insubstituível de suas palavras e, especialmente, das imagens poéticas por elas construídas.
Adriana nasceu em 1970 no Rio de Janeiro, onde passou grande parte de sua vida, morou na França e atualmente vive entre o Rio e o estado do Colorado, nos Estados Unidos. Sua formação original foi em música, mas acabou "descobrindo-se" mais tarde enquanto escritora. é doutora em Literatura Comparada pela UERJ, onde também fez mestrado em Literatura Brasileira.
Considerada uma das grandes revelações da nossa literatura, tem entre seus trabalhos publicados as obras "Os Fios da Memória" (1999), "Sinfonia em Branco" (2001), "Um beijo do colombina" (2003), "Caligrafias" (2004), "Rakushisha (2007)"; os infanto-juvenis "Língua de Trapos" (2005), "Contos populares japoneses" (2008), todos pela Editora Rocco, e "O coração às vezes pára de bater" (2007), pela PubliFolhas.
Em seu site, http://www.adrianalisboa.com.br/, é possível verificar os prêmios com os quais foi agraciada: "Recebeu o Prêmio José Saramago, em Portugal, e, no Brasil, o prêmio de autor revelação da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e o prêmio Moinho Santista (atual Fundação Bunge). Recebeu ainda bolsas de criação e tradução da Fundação Biblioteca Nacional, do Centre National du Livre (França) e da Fundação Japão. Foi selecionada pelo projeto Bogotá 39/Hay Festival, que apontou os 39 mais importantes autores latino-americanos até 39 anos na ocasião da eleição de Bogotá como capital mundial do livro pela Unesco, em 2007. "
Em destaque o seu texto Primavera, publicado no site do projeto Releituras (http://www.releituras.com/)

Primavera
Cinzento, todo cinzento. Sob uma tarde cinzenta. Sob as asas havia também um pouco de amarelo, notei. A buganvília quase não tem folhas: só flores. Magenta, cor-de-rosa, um híbrido pleno e doloroso. Sobre a mesa da varanda, o cacto se curvou um pouco por causa da última ventania. E no entanto nos basta um momento como este. Telhas de zinco, telhas de cerâmica, um pára-raios. Um cata-vento em forma de flor: roxa, com o miolo preto.
Na mesa de trabalho, ali ao lado, um frasco de colírio, um grampeador e um calendário. Uma máscara de Veneza e um porta-retratos com a porta azul de uma casa em Tiradentes. A página número 312 do livro que está sendo traduzido. He had, however, bolted the stable door; and by the time they had forced it open there was no sign of him. Três canetas e um envelope pardo. Um enorme dicionário de capa azul e um livro: Seis problemas para Don Isidro Parodi.
Uma mosca passa e vai embora. O chão da varanda está manchado de vermelho-ferrugem e em algum lugar alguém acelera o motor do carro. Um finíssimo véu de claridade respira, e logo se desmancha entre as nuvens.
(Adriana Lisboa)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

UMA VOZ INESQUECÍVEL



A cantora brasileira Elis Regina deixou um belo compêndio musical a ser visto e revisto, ouvido e sentido. Aos saudosos, um video com uma bela interpretação de Me deixas Louca, em sua última exibição pública antes de morrer.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

ALLA MIA ETÀ ...



Há um momento na vida, e todos chegarão a ele inevitavelmente, que nos voltamos às reflexões acerca daquilo que fizemos, acerca daquilo que gostaríamos de ter feito ou ter sido, daquilo que sabemos que talvez nunca teremos a coragem necessária para fazer. É um momento muitas vezes duro, de uma crueldade dilacerante, mas um momento que também pode nos impulsionar a querer algo mais, a reconhecer que o choro é também uma espécie de fortificante.
Não, este texto não trata de um desabafo, mas de uma leitura acerca de um novo trabalho lançado no mercado: ALLA MIA ETÀ, novo álbum do cantor italiano Tiziano Ferro. É o que podemos chamar de uma bela caixa musical, repleto de novas nuances, um trabalho ora colorido, ora muito noturno e até perigoso ... este é talvez o trabalho mais maduro do cantor. Ferro é uma espécie de poeta pós moderno, fala do amor universal como uma exaltação à vida, mas às vezes consegue ser tão cruel consigo mesmo e tão intenso quanto uma tempestade. É bem provável que este trabalho seja sim um desabafo, uma quase autobiografia ... mas não podemos nos esquecer que todo poeta é também um fingidor, como já dizia Fernando Pessoa. O italiano consegue de fato confunfir o seu ouvinte, e vai muito além do estereótipo de galã. Não falamos aqui do que tantas (os) fãs espalhados pelo mundo vêem - apenas um homem bonito explicitando sorrisos e, em muitos casos, vocábulos incompreensíveis - mas falamos, sobretudo, de boa música, com textos atemporais, reflexivos e repletos de significado. As imagens poéticas criadas por cada palavra nos transportam para mundos diversos, e os nossos devaneios se tornam dos mais sugestivos, percorrendo diferentes cores, sabores, chegando ao sol, viajando à lua, numa grande profusão de leituras.
E se voltarmos à questão do primeiro parágrafo, podemos citar a canção título do cd Alla Mia Età (À minha idade), que nos mostra como um erro pode muitas vezes nos condenar de maneira inexorável, de como uma palavra dita ou escrita pode nos "ferir de morte". É, a meu ver, a mencionada canção noturna, aquela que exprime o quanto em tantos momentos é preciso morrer para se viver melhor, e agradecer aos que à sua idade (por que não à "nossa" idade?) também choram ainda, uma forma de não se sentir sozinho no mundo, especialmente em um momento de sofrimento.
O que Tiziano Ferro faz, e aqui não posso julgar musicalmente, visto que não sou crítica de música, é compartilhar da idéia de que a vida é uma poesia, e que, portanto, de que a poesia está em todo lugar.
Outras faixas do cd que recomendo: Il sole existe per tutti ("ti fermo all'iferno e mi perdo / perchè non ti lasci salvare da me?"); Il regalo più grande ("vorrei donare il tuo sorriso alla luna perchè / di notte chi la guarda possa pensare a te"); La paùra non esiste ("perchè le errore non esiste / e la paùra non esiste").
Todo o álbum merece ser ouvido!

Tiziano Ferro - Alla Mia Età
Tiziano Ferro

Sono un grande falso mentre fingo l'allegria..
sei il gran diffidente mentre fingi simpatia...
come un terremoto in un deserto che..
che crolla tutto e io son morto e nessun se ne
accorto..

lo sanno tutti che in caso di pericolo si salva solo
chi sa volare bene..
quindi se escludi gli aviatori..falchi...nuvole, gli
arei e gli angeli...rimani te
e io mi chiedo ora che farai..
e nessuno ti verrà a salvare..

complimenti per la vita da campione..
insulti per l'errore di un rigore..

e mi sento come chi sa piangere..
ancora alla mia età
e ringrazio sempre chi sa piangere di notte alla mia
età
e vita mia che mi hai dato...tanto amore, gioia,
dolore tutto...
ma grazie a chi sa sempre perdonare sulla porta alla
mia età..

certo che facile...non è mai stato,
osservavo la vita come la osserva un cieco..
perchè cio che hai detto puo far male..
però cio che hai scritto puo' ferire per morire..

e mi sento come chi sa piangere..
ancora alla mia età
e ringrazio sempre chi sa piangere di notte alla mia
età
e vita mia che mi hai dato tanto amore, gioia, dolore
tutto...
ma grazie a chi sa sempre perdonare sulla porta alla
mia età..

e che la vita ti riservi ciò che serve spero..
e piangerai per cose brutte e cose belle spero
senza rancore e che le tue paure siano pure..
e l'allegria mancata poi diventi amore..
anche se..
e perchè solamente il caos della retorica..
confonde i gesti e le parole le modifica e..
perchè dio mi ha suggerito che ti ho perdonato..
e ciò che dice lui l'ho ascoltato...

di notte alla mia età...
di notte alla mia età...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

FILME VENCEDOR DA ENQUETE: O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON






Você escolheu e agora resta conferir o resultado na grande festa do cinema, o Oscar. Segundo nossa enquete, porém, já existe um vencedor!Baseado no conto de F. Scott Fitzgerald, O Curioso Caso de Benjamin Button conta a história incomun de um homem que nasce com mais de oitenta anos e, ao contrário do que ocorre num ciclo normal de vida, passa a rejuvenescer com o tempo. A produção traz uma reflexão acerca da vida e da morte, do que é realmente ser jovem e velho, do que é amar, perder e ganhar e, em especial, do conflito entre o ser e o parecer. O elenco é composto por Brad Pitt, Cate Blanchett, Kimberly Scott, Jason Flemyng, Taraji Henson, Elle Fanning, Mahershalalhashbaz Ali e Emma Degerstedt.Com direção de David Fincher, o filme lidera as indicações ao Oscar, com 13 categorias ao total, incluindo melhor filme, melhor diretor e melhor ator para Brad Pitt.

"A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás... Mas só pode ser vivida olhando-se para frente"




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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

GOMORRA




Gomorra é um dos nomes que mais tem causado polêmica nos últimos meses, ao menos na Itália. Trata-se da obra do escritor e jornalista Roberto Saviano, um retrato das transações e ações da máfia napolitana - a Camorra - no país. O livro teve repercussão tão grande que virou adaptação cinematográfica, mostrando como jovens de origem humilde acabam por se envolver com a máfia se tornando uma espécie de recrutas. Ambas as produções causaram tal impacto (o filme foi cotado para o Oscar de melhor filme estrangeiro, mas não seguiu na concorrência) que a máfia prometeu executar Saviano, um jovem de 30 anos, até o final de 2008, o que ainda não aconteceu. Segundo o próprio escritor, porém, a morte o ronda a todo instante, em recente entrevista à BBC2 de Londres, ele afirmou: "A Camorra sabe esperar o momento certo, a ocasião certa, e não esquece."
Na Itália, Roberto tem sido chamado por alguns de herói pós-moderno, vista sua coragem em delatar tantos crimes da organização. Ser herói é viver sob o domínio do medo? De qualquer forma, vale conferir livro e filme!
fotos: Cena do filme Gomorra (foto 1)
O escritor Roberto Saviano (foto 2)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

UM POEMA PARA OS DIAS DE DESVENTURA ...

"Ergue os olhos
Eleva teu coração
Tua fome há de ser saciada
teu caminho há de se abrir
com o vento
e a dor que te sufoca
entregar-se-á
ao fogo
queimando tua pele
e, assim, dirá:
Enfim te deixo!
Mostra tua face
Abranda tua alma
e, então,
serás livre!"

Jaqueline Nascimento.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

NAÏF: A ARTE NASCE TAMBÉM DA SIMPLICIDADE





A arte intitulada Naïf surge da espontaneidade, do fazer artístico desprovido de qualquer técnica ou escola. As pinturas Naïf surgem da criatividade e sensibilidade do artista, de imagens do cotidiano transformadas. Este estilo se assemelha à produção infantil e primitiva, o que não significa que com eles possa ser confundida.
Por muitos anos o Naïf foi considerado uma arte menor devido ao seu desajuste no desenho e na perspectiva, no uso das cores sem grandes nuances.
O grande precursor deste tipo de arte foi Henri Rousseau (1844-1910), cuja primeira exposição recebeu vários ataques da crítica por não possuir preocupação com as técnicas elementares do desenho.
Homem de pouca instrução e formação em pintura, Rousseau acabou recebendo mais tarde a admiração de grandes nomes das artes como Pablo Picasso. Seu trabalho acabou por ser reconhecido, além de exercer grande influência sobre o Surrealismo.
A inspiração Naïf surge basicamente da iconografia popular de velhos livros, ilustrações religiosas, ou até mesmo os chamados "santinhos".

Características gerais:
· Composição plana, bidimensional, tende à simetria e a linha é sempre figurativa
· Não existe perspectiva geométrica linear.
· Pinceladas contidas com muitas cores.

Por ter se tornado tão popular, o Naïf acabou, ironicamente, se tornando uma espécie de escola, na qual é possível separar os bons dos "pseudo" trabalhos.

A Galeria Jacques Ardies especializada em arte naif brasileira, iniciou suas actividades em 1979. No seu website escreve:
"A arte naif é uma criação artística instintiva e espontânea realizada por pintores autodidatas que sentem uma impulsão vital de contar suas experiências de vida. Podemos dizer que desde o início dos tempos, quando o homem sentiu a necessidade de criar algo com o único intuito de se deleitar, surgiu a arte naif; assim sendo, ela encontra-se presente ao longo da história da humanidade, pelas mãos de indivíduos que, alheios aos movimentos artísticos, sociais e culturais de sua época, criam unicamente movidos por suas emoções. A denominação “Arte naif” (aplicada para designar um certo grupo de pintores) como utilizamos atualmente, surgiu no fim do século XIX, com a aparição do pintor francês Henri Rousseau no “Salão dos Independentes”, em Paris. Atualmente podemos dizer que o Brasil é um dos grandes representantes da arte naif mundial. Por ser um país de imensos contrastes, com uma cultura resultante do amálgama de inúmeras outras (a africana, a européia e a indígena), ele é um canteiro fértil para o surgimento e desenvolvimento dessa forma de expressão artística. Apesar desse imenso potencial, somente na década de 50, o Brasil começou a dar atenção a esse grupo de artistas, com as primeiras exposições de Heitor dos Prazeres, Cardosinho, Silvia de Leon Chalreo e José Antonio da Silva. Depois desse início, as décadas de 60 e 70, vão conhecer uma verdadeira explosão de pintores naifs brasileiros, tais como: Ivonaldo, Isabel de Jesus, Gerson Alves de Souza, Elza O . S., Crisaldo de Moraes, José Sabóia e muitos outros que juntamente com seus predecessores, estão presentes em nosso acervo. A arte naif é simples, pura, autêntica e não exige prévios conhecimentos intelectuais e artísticos para ser compreendida, chega direto ao nosso coração e toca nossa alma sem subterfúgios, somente ultrapassando o filtro de nossas emoções. A Galeria Jacques Ardies convida-o a se deixar contagiar por esse mundo de luzes, cores e alegria oferecido por seus artistas."
FONTES: Ilustração 1: "Soltando Balão" 50x60 Airton das Neves
Ilustração 2: "Flor do Campo" 50x60 Malu Delibo
Ilustração 3: "O Violeiro" 50x60 Ernane Cortat

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

TWILIGHT NOW: DO VAMPIRO CULT AO POP



Stephanie Meyer é dona de uma proeza, no mínimo, invejável. Ela é autora de um dos livros mais vendidos no mundo na atualidade. A nova febre que toma os adolescentes (em especial "as" adolescentes)e surge como promessa de substituto de títulos como Senhor dos Anéis e Harry Potter tem nome: Luz e Escuridão. Sim, aqui não me refiro ao livro, mas à saga cujas três "partes" já possuem edições publicadas no Brasil: Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse, este último nas prateleiras das livrarias desde o começo do ano. A autora apostou numa idéia infalível: o vampirismo. O tema sempre foi sinônimo de grandes vendas, seja de livros ou entradas de cinema, Meyer vai além e introduz uma história de amor um tanto fantasiosa: Isabella Swan e Edward Cullen vivem um romance, mas o rapaz é um vampiro. A receita é saborosa, mas nada original. E, neste caso, nem se está julgando a qualidade estética ou literária: fora de cogitação!
Mas, se o pretexto da autora é usar uma história de amor para falar de vampiros, o meu é o de usar a fama da autora para indicar outras leituras vampirescas aos mesmos leitores deste tipo de narrativa.
Anne Rice foi uma das autoras mais populares dos anos 90. Rice dedicou-se quase que exclusivamente à escrita de temas acerca do vampirismo, sua "obra máxima" recebe o nome de Entrevista com o Vampiro, o livro imortalizou os vampiros Lestat e Louis e se tornou uma bela adaptação cinematográfica com os atores Brad Pitt e Tom Cruise, concorrendo, inclusive, ao Oscar em algumas categorias (como a de melhor atriz coadjuvante, cuja indicada era a, então menina, Kirsten Dunst). Rice é ainda autora de inúmeras crônicas vampirescas, algo fabuloso para os amantes do gênero.
O grande precursor deste gênero, porém, foi o irlandês Bram Stocker com seu maior (e único) clássico Drácula, publicado em 1897. Como todos sabem, o príncipe Drácula - personagem real - viveu no século XV na região da Valáquia, na Transilvânia. Seu nome Vlad recebeu o apelido de Drácula devido ao brasão da família, "dracul" ou "dragão". Durante anos refém dos turcos, ele aprendeu as mais diversas técnicas de empalamento (que não é o caso descrever aqui), motivo pelo qual seu nome se imortalizou como sinônimo do horror. Em 1456 deu início a um reinado de quatro anos de tirania e terror. Ele era um homem sádico, que beirava a insanidade. Stocker usou a figura lendária e mítica para o povo romeno associando-a ao vampirismo.
Drácula foi, de certa forma, também algoz do autor, que se tornou tão vampirizado quanto o personagem que criou e, finalmente, ofuscado por ele. Coincidência ou não, o trabalho com os mistérios do oculto lhe renderam o quase anonimato.
O romance epistolar (em forma de cartas e diários)rendeu uma das produções cinematográficas mais competentes e bem sucedidas da história do cinema. O filme Drácula de Bram Stocker, dirigido por Francis Ford Copolla, é talvez o filme pop mais cult dos últimos tempos, com um grupo fiel de adoradores em todo o mundo. A narrativa trabalha brilhantemente a eterna história de amor entre Vlad (Gary Oldman) e Mina (Winona Ryder), o que, perdoem-me os iludidos, não acontece no romance.
Um aviso importante: o filme, assim como o livro, foram feitos para adultos e, portanto,os fãs de Twilight não serão poupados ^__^
Fica, então, a dica para os iniciantes fãs de vampiros!!! Boa leitura!!!

domingo, 25 de janeiro de 2009

POETA DO SUL



Grande surpresa foi ler este poeta, pela primeira vez, num blog na internet (seu blog pessoal), depois encontrá-lo nos mais variados sites falando de literatura e de seu comprometimento com os versos.
Fabrício Carpinejar é escritor, jornalista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Natural de Caxias do Sul(RS), é filho dos poetas Carlos Nejar e Maria Carpi, dos quais utilizou o sobrenome para uma excêntrica junção: "Carpinejar", uma forma de, segundo ele, mantê-los unidos, já que são separados.
Em 2008, participou do "Paiol Literário", evento promovido pelo Jornal Rascunho e realizado no Teatro Paiol, em Curitiba, no qual declarou em entrevista: "Não acredito que a literatura possa mudar o mundo. Acredito que ela pode confundí-lo bastante. Que a gente precisa dessa confusão [...]"
Miguel Sanches Neto, em edição do jornal Gazeta do Povo de 12 de agosto de 2000, referindo-se ao livro Um Terno de Pássaros ao Sul (Escrituras, 2000), então publicado por Carpinejar, afirmou que "em todos os versos, sentimos que a casa mítica do autor, o Sul, é maior, muito maior do que o resto."

LIVROS: As Solas do Sol (Bertrand Brasil, 1998), Um Terno de Pássaros ao Sul (Escrituras Editora, 2000, esgotado) (Bertrand Brasil, 3ª edição, 2008), objeto de referência nos The Book of the Year 2001 da Enciclopédia Britânica, Terceira Sede (Escrituras, 2001), Biografia de uma árvore (Escrituras, 2002), Caixa de Sapatos (Companhia das Letras, 2003), Porto Alegre e o dia em que a cidade fugiu de casa (Alaúde, 2004), Cinco Marias (Bertrand Brasil, 2004), Como no Céu e Livro de Visitas (Bertrand Brasil, 2005), O Amor Esquece de Começar (Bertrand Brasil, 2006), Filhote De Cruz Credo (A GIRAFA EDITORA, 2006), Meu filho, minha filha (Bertrand Brasil, 2007,Canalha! (Bertrand Brasil, 2008) e Diário de um Apaixonado: sintomas de um bem incurável (Mercuryo Jovem, 2008).

Poemas de Um Terno de Pássaros ao Sul
Fragmento I

Pouco crescemos
no que aprendemos,
o sabor

de um livro antigo
está em jovem
esquecê-lo.

Eu alterei
a ordem do teu ódio.
Fiz fretes de obras

na estante.
Mudava os títulos
de endereços

em tua biblioteca
e rastreavas, ensandecido,
aquele morto encadernado

que ressuscitou
quando havias enterrado
a leitura,

aquele coração insistente,
deixando atrás uma cova
aberta na coleção.

Sou também um livro
que levantou
dos teus olhos deitados.

Em tudo o que riscavas,
queria um testamento.
Assim recolhia os insetos

de tua matança,
o alfabeto abatido
nas margens.

Folheava os textos,
contornando as pedras
de tuas anotações.

Retraído,
como um arquipélago
nas fronteiras azuis.

Desnorteado,
como um cão
entre a velocidade

e os carros.
Descia o barranco úmido
de tua letra,

premeditando
os tropeços.
Sublinhavas de caneta,

visceral,
impaciente com o orvalho,
a fúria em devorar as idéias,

cortar as linhas em estacas da cruz,
marcá-las com a estada.
Tua pontuação delgada,

um oceano
na fruta branca.
Pretendias impressionar

o futuro com a precocidade.
A mãe remava
em tua devastação,

percorria os parágrafos a lápis.
O grafite dela, fino,
uma agulha cerzindo

a moldura marfim.
Calma e cordata,
sentava no meio-fio da tinta,

descansando a fogueira
das folhas e grilos.
Cheguei tarde

para a ceia.
Preparava o jantar
com as sobras do almoço.

Lia o que lias,
lia o que a mãe lia.
Era o último a sair da luz.

fontes:
foto: Renata Stoduto, por http://www.digestivocultural.com/entrevistas
blog do autor: http://fabriciocarpinejar.blogger.com.br
site do autor: http://www.carpinejar.com.br